Desigualdade, Política e Poder
Zero Hora: "Desigualdade, política e poder
ALOYZIO ACHUTTI/ Membro da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina
Estas são palavras-chave de uma conferência promovida pelo Banco Mundial, enfatizando o tema do relatório anual de 2006: Eqüidade e Desenvolvimento. Nosso país, apesar de constar entre as maiores economias mundiais, vem mantendo um dos maiores recordes na distribuição desigual das riquezas geradas no desempenho desta mesma economia.
A manutenção deste quadro é um atestado eloqüente de nossa incompetência ou improbidade política, o que não surpreende face a tudo o que a mídia nos tem revelado ultimamente das entranhas de nossos três poderes. Polis e cidadania contém a mesma idéia original e se referem à população, que deveria se beneficiar dos melhores resultados na gestão dos recursos disponíveis, à semelhança de um bom negócio em nível individual da economia. A mesma ambição humana que promove o desenvolvimento, leva à concentração de poder, que favorece a concentração de riquezas, na contramão da eqüidade.
Mais uma vez estamos frente a um equilübrio instável, característica de toda a natureza, desafio para nossa inteligência, engenho e sensibilidade. Os desequilíbrios seja onde forem - entre os indivíduos, entre nós e o meio ambiente, dentro de nós mesmos - sempre se constituem num risco e acarretam danos, alguns irreversíveis.
Com poder é possível manter por algum tempo uma instabilidade incômoda que termina forçando o retorno ao ponto inicial. A manutenção da desigualdade é muito cara, e a falta de participação, cooperação e harmonia termina comprometendo o desempenho final do todo. A entropia, a violência e a corrupção encontram terreno fértil contribuindo para a auto-eliminação dos incompetentes. A concentração de poder econômico e político, gerando desigualdade, cria uma ilusão de segurança e consome com a autocrítica, o que também termina funcionando como mecanismo de retroalimentação, acelerando o processo de reequilíbrio.
Parece uma utopia, mas é preciso acreditar para sobreviver em busca de qualidade de vida: a informação pode levar ao controle social, temperando o poder e ajudando a orientar a política. Numa sociedade que se quer livre, cada cidadão dispõe de uma fração do poder político. Embora, para fins operacionais, esta fração precise ser confiada aos nossos representantes na máquina do Estado, este capital precisa ser vigiado e bem administrado como fazemos com outros nossos valores e investimentos.
Diversidade e desigualdade são próprias da natureza, mas as anomalias e os desvios extremos são um atestado do mau desempenho e da insalubridade social, necessitando de prevenção e tratamento. "
ALOYZIO ACHUTTI/ Membro da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina
Estas são palavras-chave de uma conferência promovida pelo Banco Mundial, enfatizando o tema do relatório anual de 2006: Eqüidade e Desenvolvimento. Nosso país, apesar de constar entre as maiores economias mundiais, vem mantendo um dos maiores recordes na distribuição desigual das riquezas geradas no desempenho desta mesma economia.
A manutenção deste quadro é um atestado eloqüente de nossa incompetência ou improbidade política, o que não surpreende face a tudo o que a mídia nos tem revelado ultimamente das entranhas de nossos três poderes. Polis e cidadania contém a mesma idéia original e se referem à população, que deveria se beneficiar dos melhores resultados na gestão dos recursos disponíveis, à semelhança de um bom negócio em nível individual da economia. A mesma ambição humana que promove o desenvolvimento, leva à concentração de poder, que favorece a concentração de riquezas, na contramão da eqüidade.
Mais uma vez estamos frente a um equilübrio instável, característica de toda a natureza, desafio para nossa inteligência, engenho e sensibilidade. Os desequilíbrios seja onde forem - entre os indivíduos, entre nós e o meio ambiente, dentro de nós mesmos - sempre se constituem num risco e acarretam danos, alguns irreversíveis.
Com poder é possível manter por algum tempo uma instabilidade incômoda que termina forçando o retorno ao ponto inicial. A manutenção da desigualdade é muito cara, e a falta de participação, cooperação e harmonia termina comprometendo o desempenho final do todo. A entropia, a violência e a corrupção encontram terreno fértil contribuindo para a auto-eliminação dos incompetentes. A concentração de poder econômico e político, gerando desigualdade, cria uma ilusão de segurança e consome com a autocrítica, o que também termina funcionando como mecanismo de retroalimentação, acelerando o processo de reequilíbrio.
Parece uma utopia, mas é preciso acreditar para sobreviver em busca de qualidade de vida: a informação pode levar ao controle social, temperando o poder e ajudando a orientar a política. Numa sociedade que se quer livre, cada cidadão dispõe de uma fração do poder político. Embora, para fins operacionais, esta fração precise ser confiada aos nossos representantes na máquina do Estado, este capital precisa ser vigiado e bem administrado como fazemos com outros nossos valores e investimentos.
Diversidade e desigualdade são próprias da natureza, mas as anomalias e os desvios extremos são um atestado do mau desempenho e da insalubridade social, necessitando de prevenção e tratamento. "
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